Não há como negar. Fica difícil não torcer o nariz, ao ler a breve sinopse do filme O Vencedor (Fighter, 2010 – Imagem Filmes). A expressão mais comum permeia a cabeça de todos nós: “Pô, mais um filme de um boxeador falido?”. Sim, devo admitir, pensei algo parecido, muito antes de ter a oportunidade de ver a boa recepção da película durante a premiação do Globo de Ouro – vencedor dos prêmios de melhor ator coadjuvante (Christian Bale, que poderia ser confundido com o nome ‘A surpreendente maravilha’) e melhor atriz coadjuvante (Melissa Leo).

O entusiasmo de críticos e comentaristas despertou minha curiosidade (embora, isto venha se tornado um fator irrelevante nas minhas considerações sobre ver ou não um filme) e não pensei duas vezes em assisti-lo no cinema da minha cidade. Quase 2 horas de projeção, algo infinitamente grande para um filme que tenha uma história meia-boca. Sentei, as luzes baixaram, o projetor rodou e todas as minhas desconfianças cessaram a partir dos 10 primeiros minutos do longa. A única palavra que conseguia exprimir depois de toda esta agradável experiência foi: Sensacional!

Inicialmente, somos apresentados aos irmãos Dicky (Mark Wahlberg) e Micky (Bale) que estão participando da gravação de um documentário do canal HBO. A priori, somos levados a crer que o motivo para os lutadores de boxe (que se sustentam asfaltando as ruas da pequena cidade em que moram) participarem da tal gravação, deve-se aos feitos do irmão mais velho (Dicky) ter conseguido derrotar uma lenda do boxe e se tornar o ‘vencedor’ na disputa do título.

Aos poucos, vamos conhecendo de perto a rotina das personagens e o relacionamento deles com seus familiares. Na verdade, a família dos irmãos é a base central do comando de suas vidas. A mãe dos lutadores (a esplêndida Melissa Leo) rege com rédeas curtas a carreira profissional de Micky e é a responsável pelos fiascos do rapaz que desafia oponentes com uma preparação física bastante superior a sua.

Quando nos familiarizamos com o desenvolvimento da rotina dos protagonistas, passamos a perceber que os problemas vivenciados por ambos são muito mais interessantes, do que as situações gloriosas por que passaram. O primeiro conflito ou problema que salta aos nossos olhos é o comportamento instável de Dicky. Utilizando maneirismos que ora indicam clareza, ora transparecem uma perturbação sem precedentes, Dicky se mostra um personagem complexo e carregado de muita frustração ao ser lembrado por seus companheiros como o vencedor de um título que, algumas vezes, levanta dúvidas se realmente foi merecido.

Mesmo sendo bem quisto pela comunidade que pertence (de vez em quando ele é lembrado como um herói para os moradores), Dicky descarrega a sua frustração de viver no ostracismo esportivo, ao exigir do seu irmão constante reconhecimento como o principal responsável pela sua iniciação na vida do boxe. Transparecendo, muitas vezes, um egocentrismo e instabilidade emocional que resulta em grandes prejuízos para a carreira de Micky.

Além das intensas cenas envolvendo as relações conflituosas entre os parentes e agregados da família dos lutadores, o filme também possui como destaque as cenas de lutas que envolvem boa parte da projeção. O realismo conferido a algumas delas produz um resultado satisfatório nas telas e nos explica o motivo do diretor David O. Russel concorrer na categoria de Melhor Diretor no Oscar deste ano. O filme explora uma série de planos sofisticados, como: na abertura do filme em que Dicky ensaia os golpes que o eleveram à condição de lenda local; nas lutas filmadas em slow motion que são protagonizadas por Micky em boa parte da projeção; nas perturbadoras cenas do irmão mais velho em processo de abstinência pelo uso de drogas.

As sutis passagens de uma cena à outra revela uma montagem apropriada e bem planejada por Pamela Martin (também montadora do filme Pequena Miss Sunshine). O roteiro ficou nas mãos do trio Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson que também estão concorrendo ao Oscar de Melhor Roteiro Original.  Na direção de fotografia, o suíço Hoyte Van Hoytema mostra um resultado bastante competente e nos prova a sua segurança em realizar esta tarefa (algo que o público já presenciou no filme suíço Deixe Ela Entrar, que merece uma crítica posterior neste blog).

A soma de todos os excelentes desempenhos da equipe técnica, atores e diretores transformam o filme O Vencedor em um longa capaz de nos envolver emocionalmente e nos deixar empolgados com as sua sequencias de ação. Concorrendo a sete categorias no Oscar deste ano, o filme centra sua história nas complicadas relações familiares e utiliza as cenas de lutas como pano de fundo desta complicada relação.

Não há como deixar de destacar, as atuações do brilhante Christian Bale (mais lembrados pelos amantes do blockbuster como o mais recente Batman) e da admirável Melissa Leo (com uma extensa carreira na televisão norte-americana) que concorrem aos Oscars das categorias de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante. Mark Wahlberg (lembrado nas telinhas da Rede Globo como o atrapalhado assassino de aluguel no filme Tiro e Queda) também transparece bastante segurança no filme, inclusive nas cenas que exigem uma grande carga de dramaticidade. Já a atriz Amy Adams mais uma vez nos dá a prova do porquê, de uns quatro anos para cá, vem se tornando uma das atrizes mais badaladas e requisitadas pelos estúdios (só observar as suas atuações memoráveis  nos filmes Julie & Julia e Dúvida).

Então, o que mais esperar? Aproveitem que o filme está passando no Cinemark de Aracaju (algo raro, já que os filmes besteirois dominam as exibições) e confiram este belo espetáculo visual. Importante ficar atento às cenas finais em que são mostrados os verdadeiros irmãos Dicky e Micky, e não deixar de comparar a atuação do Bale com a rápida aparição do efusivo Dick Eklund da vida real.

Por Andreza Lisboa

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O show vai começar

Publicado: 17 de fevereiro de 2011 em Espaço do Cineclubista
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Uma pausa dramática. Vale lembrar que a pronúncia correta do título do filme é Burlesque, e não como brasileiro metido a falar inglês gosta de falar ‘Burlésque’. Embora na segunda música Cher pronuncie ‘Burlésque’, ouvindo as demais, percebe-se que é por mera entonação.

“Burlesque” conta a estória da jovem Alice (Christina Aguilera), mais conhecida como Ali, que sai de sua cidade natal Iowa e parte em direção a Los Angeles a fim de tornar-se uma cantora de sucesso. Após participar de diversos testes para tal profissão, eis que ela encontra o clube Burlesque, localizado na melhor vista panorâmica de Sunset Trip, que tem como atração principal mulheres lindas, vestidas com roupas provocantes, que dançam e cantam com playback. O clube é comandado por Tess (Cher) e que tem como seu fiel escudeiro Sean (Stanley Tucci). Tess é separada do seu marido Vince (Peter Gallagher), embora ambos continuem sócios do empreendimento.

Ao chegar na boite, Ali conhece Jack (Cam Gigandet), barman do local que a encaminha a Tess, a fim de que a moça atinja o seu objetivo. No entanto sem sucesso com a dona do local, Ali, resolve pegar uma bandeja e começa atender aos clientes por conta própria. Essa audácia da jovem, embora reprovada por Tess, faz com que a aspirante a cantora comece a trabalhar no local. Os dias passam e a personagem de Aguilera vai decorando músicas e coreografias dos números que são apresentados, e que com o afastamento de Georgia (Julianne Hough), por estar grávida, abre-se uma audição e é quando Ali aproveita a oportunidade. Ela sobe ao palco, dá seu show à contra gosto da proprietária, no entanto Tess resolve contratá-la.

Porém o clube Burlesque tem mais uma baixa em seu corpo de baile. Nikki (Kristen Bell), por beber sem limites, é proibida por Tess de se apresentar. Alice é então chamada para substitui sua colega de trabalho. Entretanto, no meio do espetáculo, Nikki desliga o som, para que Ali fosse prejudicada. O que ela não imaginava é que dentro da garganta de sua rival, existe uma voz fenomenal que ao ecoar pelas paredes do Burlesque, o publico aplaude, bastante entusiasmado, a performance da novata do grupo. Voilá! Alice assim estoura com um sucesso absurdo e o clube, que está prestes a fechar suas portas e ser leiloado, volta a ter suas mesas lotadas.

E é nesse caminho que o filme conta a estória de Alice e Tess, empregada e patroa, que se tornam grandes amigas e conseguem salvar o Burlesque da falência.

“Burlesque” marca o surgimento da cantora Christina Aguilera como atriz. E devo afirmar que nos padrões do gênero musical ao qual o filme se enquadra, Aguilera desempenhou bem sua função. Como cantora, a moça tem uma carreira, digamos que, estável, lançando seus CDs, que fazem sucesso pelo mundo a fora. Não discuto aqui se o estilo musical dela é bom ou não. Afinal não sou crítico e muito menos de música. Reafirmo apenas, que ela está convincente e deslumbrante no seu papel. Como diz a personagem de Tucci “Alice. Bem vinda ao país das maravilhas”, e ela faz sim de Burlesque, juntamente com, a consagrada atriz e vencedora de Oscar, Cher, um país das maravilhas.

O que falar de Cher? Há mais de 40 anos em carreira artística, entre aposentadorias e retornos triunfantes, nossa querida Tess, está também fantástica. Embora, não receba tanto destaque musical e coreográfico no filme. Ela só interpreta duas músicas. A primeira “Welcome To Burlesque”, em que canta e dança, e a segunda “You Haven’t Seen The Last Of Me”, com uma performance bem estática, sentada em uma cadeira, e que quando está de pé, não dança tanto. A de se frisar que a música narra a passagem sofrida de Tess com o provável fechamento do clube, portanto não necessita de uma performance coreográfica exigente. Essa canção levou para casa o Globo de Ouro de Melhor Canção Original de 2011. O papel de Cher, não é de tanto destaque, pois como fala o próprio subtítulo do filme “É preciso de uma lenda para ser fazer uma estrela”, a lenda é Tess e a estrela a ser feita, a ser construída, é Alice.

Vale mencionar aqui as atuações de Tucci, pelo excelente ator que é, à de Peter Gallagher, como o ex-marido desesperado em vender o Burlesque para o rico e famoso empresário Marcus (Eric Dane), a atuação de Gingandet, que formará par romântico com Aguilera, mas sem esquecer-se do querido e divertido Alan Cumming, que interpreta Alexis, bilheteiro da boite. Contudo, devo lamentar que não entendo o motivo pelo qual escalaram Cumming, já que só deram duas cenas a ele. Uma lástima!

Em “Burlesque” podemos notar citações e inspirações em diversos filmes. Sua inspiração maior é no filme “Chicago” de Rob Marshall, em seus números musicais, em movimentações coreográficas que se assemelham às desse filme de Rob e até mesmo na ambientação de cabaré. Há também inspiração no filme “Show Bar”, quanto à estória de uma jovem do interior que segue rumo à cidade grande em busca de fama, e sem esquecer-se do próprio filme “Nine”, também de Marshall. Já quanto às citações, temos o numero musical “Diamonds Are A Girl’s Best Friend”, que cita a interpretação de um numero musical semelhante que a estonteante Marilyn Monroe faz no filme “Os Homens Preferem As Loiras” de Howard Hawks; ao filme “Moulin Rouge” de Baz Luhrmann, no momento em que Aguilera está com seu cabelo a la “Lady Marmalade”; ao filme “La Mome Piaf” de Olivier Dahan, quando Christina está cantando “Bound To You”, música da maravilhosa Etta James – citada em um dos diálogos do filme, em que é filmada de costas e a luz frontal, tomando uma posição de contra-luz, devido à localização da câmera, menciona a cena em que Piaf, após saber da morte de Marcelo, o seu primeiro grande amor, adentra um palco cantando “L’Hymne A L’Amour”. E a ultima citação que consegui captar, na verdade não é a ultima por ser na primeira metade do filme, é a cena em que Ali está andando de motoneta com Jack, em que tem um lenço enrolado na sua cabeça e com o vento, o adereço acaba voando. É uma cena bastante clássica, no entanto, infelizmente, não me recordo do filme. Se alguém conseguir identificá-lo, por favor, esteja à vontade em mencionar.

“Burlesque” conta com cenários e figurinos majestosos, que nos levam à verdadeira época, em que esse gênero musical era realmente um estrondo nos Estados Unidos. Sim, Burlesque é um tipo de musical em que mulheres belíssimas e com roupas bem provocantes e sensuais dançavam e cantavam dublando grandes artistas femininas da época nos Estados Unidos. O que é fielmente mostrado por Antin nos números musicais, cenários e figurinos do clube. As direções de arte e fotografia também não ficam por baixo. Em seus enquadramentos, a fotografia, enriquece ainda mais o destaque das vestimentas e dos objetos cênicos, que são mostrados em cena, pela direção de arte, para que transportem o telespectador para a época em que o Burlesque era a sensação musical.

É possível encontrar alguns probleminhas no filme. O ritmo de resolução das problemáticas é bem rápido. O que nos faz crer que a batalha pelo sucesso é extremamente fácil. Há dois erros de continuidade, como por exemplo, na sequencia em que Cher faz a maquiagem de Aguilera. Tess começa a passar um batom claro na moça, em um take, e no seguinte, Christina aparece com a boca já produzida com um, bastante, vermelho. E o segundo erro é quando Tess faz, do documento de aviso prévio de despejo, um aviãozinho de papel e lança quando Sean entra em sua sala. É visível que quando ela arremeça o objeto ele vai em direção ao chão, e quando focalizam Tucci entrando na sala de Tess, o pequeno avião tem um vôo espetacular. Há quem diga que a sequencia de cenas em que Ali ouve as músicas dos números musicais do Burlesque e começa a decorar as coreografias pelo meio das ruas, seja algo fora da realidade e exagerado, mas para quem dança isso é algo bastante normal. Ou talvez, não fora de contexto, já que é comum entre dançarinos e bailarinos acordar no meio da noite para repassar variações de coreografias.

“Burlesque” foi escrito e dirigido por Steve Antin, figurinos de Michael Kaplan, direção de arte de Chris Cornwell, direção de fotografia de Bojan Bazelli, trilha sonora original de Chistophe Beck, com aproximadamente 119 minutos, incluindo os créditos finais.

 

Por Ricardo Montalvão

E o cisne voou

Publicado: 15 de fevereiro de 2011 em Espaço do Cineclubista
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Quando descobri a existência do filme “Black Swan”, ao assistir o trailer, tive todos os motivos do mundo para condená-lo já que aparentava distorcer a estória de “O Lago dos Cisnes”. Mas ainda bem que existe a redenção e posso então falar que ele me encantou do início ao fim, querendo entender os delírios de Nina Sayers (Natalie Portman).

O filme conta a estória de Nina Sayers, uma bailarina clássica, que vive na cidade de Nova Iorque, e almeja alcançar o papel principal da nova montagem de “O Lago dos Cisnes” da companhia em que trabalha. Pois bem, até aí seria um enredo normal como outro qualquer, se não fosse o mundo obscuro que rodeia nossa personagem principal. Nina, aparentemente, sofre de alucinações, mania de perseguição e auto mutilação, sem esquecer claro de um problema bastante comum no mundo das bailarinas, a bulimia.
A atriz Barbara Hershey vive a mãe de Nina, a senhora Erica Sayers. Uma mulher com seus quase 50 anos que teve de abdicar da vida de primeira bailarina da mesma companhia em que sua filha participa, para poder ser mãe. Carrega consigo a frustração pelo abandono da carreira profissional, embora ame fervorosamente sua cria. Além disso, sofre com os problemas psicológicos da garota.
Nina, com suas alucinações e delírios, conhece Lily (Mila Kunis), outra bailarina da companhia bastante parecida com ela. E então em sua mente atordoada, a senhorita Sayers começa sentir-se perseguida por Lily. Tudo isso, pois a personagem de Natalie Portman, crê que sua colega de companhia deseja tomar dela o papel principal daquele repertório de Ballet Clássico. O ator Vicent Cassel vive Thomas Leroy, o diretor artístico da montagem, que tenta seduzir Nina de todas as formas para que sua bailarina consiga interpretar o cisne negro tão bem quanto faz com o branco. Já que ele afirma que Sayers tem a fragilidade de Odette, o cisne branco, mas não a sedução e astúcia de Odille, o cisne negro. O enredo segue adentrando a estória do repertório a ser contado e como isso afeta a vida da jovem Nina Sayers.
Natalie Portman está deslumbrante no papel de Nina. Sua preparação corporal seja para interpretar uma jovem ansiosa por seu futuro e que desenvolve um distúrbio mental que a faz acreditar viver realmente uma história semelhante à que viverá nos palcos como Odette e Odille, seja como também para convencer como uma bailarina nata. Ela executa os dois lados da personagem com uma sutileza incrível de movimentos físicos, até mesmo os mais bruscos. Mila Kunis em sua incrível semelhança com a atriz principal, transpõe toda a força e sedução da personagem Odille em O Lago dos Cisnes, para a vida de Nina, fazendo com que a garota se afunde ainda mais em seus delírios. Barbara Hershey e Vicent Cassel estão fabulosos em seus papéis. Ela, uma mãe desnorteada por uma frustração profissional e desesperada por curar as loucuras da filha. E ele, um professor e diretor bastante exigente, que se usa de artifícios não tão corretos, para que sua primeira bailarina encarne realmente as duas personagens da estória. E por ultimo, e de maneira proposital, temos a atuação de Winona Rider, que interpreta Bethy Macintyre, a ex-primeira bailarina da companhia que acabara de perder o papel principal, por estar velha e a companhia precisar de mulheres mais novas. Bethy ao ser recusada pela companhia, contribui para a loucura de sua rival, infernizando muito bem a vida de Nina.
O início do filme se dá durante um sonho de Nina, meio que um prenuncio do que ocorrerá a jovem. Ela sonha consigo própria dançando a variação, ou seja, uma sequência de movimentos, do cisne branco com o vilão da estória que começa a perseguí-la. Nessa hora temos uma iluminação predominantemente verde, que pode ser traduzida pela personalidade dualista da garota. Que varia entre a apatia, causada pelo azul que é presente na cor verde, e a agressividade da cor vermelha. Embora não haja vermelho na junção que resulta na cor verde, temos o amarelo que é uma cor presente na família das cores quentes, a qual a cor vermelha é o carro chefe. Temos também excelentes enquadramentos da filmagem, enquanto são gravadas as cenas em que todos os bailarinos da companhia ensaiam as coreografias. E destaco principalmente as filmagens do ultimo ato de O Lago dos Cisnes.
A trilha sonora do filme é a mesma usada no repertório, cuja autoria é do maestro Piotr Ilyich Tchaikovsky, com adaptação de Clint Mansell e Matt Dunkley. Adaptações bem apropriadas, sem destruirem a obra principal.
“Black Swan”, produzido em 2010, tem direção de Darren Aronofsky, roteiro de John McLaughlin, direção de arte de David Stein, e fotografia de Matthew Libatique. O filme tem duração aproximada de 108 minutos, incluindo os créditos finais.

Retorno do Cinekipá acontece nessa sexta

Publicado: 10 de fevereiro de 2011 em Acervo CineKipá

O Cinekipá, cinelube do Instituto Kipá, retorna às atividades  nesta sexta às 14h no Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira após quase dois meses de recesso. A proposta de estudos para o primeiro semestre de 2011 é focar, basicamente, em exibições de documentários e discutir seus meios técnicos e suas linguagens. O objetivo é fazer com que os cineclubistas e os membros do Kipá se aprofundem nessa temática ainda pouco explorada pelos cineclubes, de um modo geral. E com o intuito de seguir uma sequência cronológica de estudos, o primeiro documentário a ser exibido será “Nanook, o esquimó” de Robert Flaherty, inventor do docuficção e considerado um dos precursores deste gênero; o doc. é um clássico do cinema documentário e considerado um marco do gênero, além de apresentar um caráter antropológico.

 

Cena do documentário "Nanook, o esquimó" de Robert Flaherty

Após a exibição do documentário, como de costume, os cineclubistas participarão da discussão do texto, cuja disponibilidade se dá sempre uma semana antes do encontro. A intenção é fomentar a prática da leitura sobre o tema elucidado, como afirma Priscila Reis, uma das coordenadoras do Cinekipá “É importante ter uma noção do que será abordado no dia do encontro e estimular essa curiosidade e vontade de pesquisarem sempre”, corrobora. Já para Ricardo Montalvão, um dos cineclubistas selecionados, além de produtividade é importante também a escolha do material a ser exibido e discutido, “Espero que os encontros continuem bastante produtivos com suas discussões e que façam uma escolha inteligente do material, para exibição e leitura”, conclui.

Os encontros do Cinekipá acontecem toda sexta às 14h no Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira com a participação dos membros do Instituto Kipá e dos cineclubistas selecionados.

Kaufman é de longe um dos roteiristas que mais goza de prestígio, ao menos por minha parte. Talvez porque eu ainda mantenha meu estilo nerd loser (mas só poucos muito poucos sabem disso). Tudo bem, em conversas com diversos amigos, pago pau pra ele sem medo, Roteirista de vários filmes fodas (perdão pelo jargão chulo, mas não tem como tratar de outra maneira), como Quero ser John Malkovitch, ou Brilho Eterno de uma mente sem lembrança.

Kaufman entende muito bem os dramas humanos e é capaz de deixar a película com histórias muito profundas e pesadas, Em Adaptação, por exemplo, vemos Kaufman, na pele de Nicholas Cage enfrentando seus próprios demônios tentando “se adaptar” ao mercado, fazer o roteiro de um livro, as diversas etapas mostram bem como funciona esse tipo de drama, Adaptação é o mais próximo que achei para definir Synecdoche, Nova York.

Nesse filme, Kaufman estréia como diretor. E que estréia. Um filme de mais de duas horas, completamente sombrio, que vai ao fundo dos dramas humanos. Com um elenco que conta com Atores como Phillip Seymour Hoffman, Samantha Connor, Michelle Willians, Emily Watson. O elenco por si só já é de uma beleza descomunal, no filme é que nós percebemos a sutileza do roteirista na direção.

Synecdoche, conta a história de Caden Cottard, um roteirista fracassado, deprimido, hipocondríaco que passa por problemas no casamento, perdendo sua esposa e sua filha que vão viver na Europa. Cottard depois de uma crise tem uma idéia de montar uma peça sobre a Vida Real, a vida dele mesmo, o filme passa boa parte do tempo fazendo essa construção alegórica da peça com personagens interpretando o cotidiano inspirado em pessoas da convivência de Kaufman.

Em determinados momentos do filme, o ator (que interpreta Cottard) se caracteriza de tal forma com ele mesmo que aos poucos perdemos a noção de identidade do que é real e do que é fictício. Cottard na verdade é o próprio Kaufman e isso fica cada vez mais claro quando penetramos mais longe na história, Não achem que é um filme trivial apesar do começo, os ziguezagues da história levam a desfechos imprevisíveis, o final lhe dá uma profunda sensação de solidão, questionando os próprios dramas.

Synecdoche, NY é para mim, um dos 05 melhores filmes da década (digo isso sem medo), ficou curioso? Assista e não duvide, o filme abre pano pra discussões que durarão meses.

Por Rafael Gomes

Beleza Americana é um dos poucos filmes que você dá prioridade a quem está no roteiro. O filme se converge pelo seu realismo instantâneo e pelo seu título que se leva pela metáfora. American Beauty é uma rosa americana que não tem cheiro, é muito comum ser cultivada nos EUA, assim, uma síntese sobre o vazio do americano comum.

O filme mostra o destino do narrador-personagem que se consagra como Narrador-Defunto (como no livro de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas) atuado por ninguém menos que Kevin Spacey, que está impecável nesse filme, e ainda Annet Benning interpretando de uma forma tão espontânea a sua personagem à beira do caos, tudo está perfeito até então. Com o desenrolar do filme nos deparamos com a grande quantidade de melodramas cotidianos que enfrentamos, tais como algo que é tão tabu quanto a masturbação, a infidelidade, questionamentos sobre beleza.

E é sobre esse paradigma de beleza que o filme deseja quebrar o “sonho americano” da perfeição que se vislumbra sobre ironias e certas tiradas envolvidas sobre um humor negro. Ao desenvolver você percebe situações que desencadeiam a infelicidade dos personagens com grande exaltação para atingir seus objetivos , mas se vêem no empecilho do dia a dia , seus preconceitos , suas responsabilidades e disciplinas que vão sendo esvairadas gradativamente.

O roteiro do grandioso Allan Ball se iguala com perfeição a direção de Sam Mendes, que poderia ter levado bem mais Oscars por um grande feito, um filme que as vezes se confunde com a estética européia em todos os aspectos.
É uma película muito rara , com objetividade , completa pela frieza dos seus personagens mórbidos e suas intrigantes maneiras de viver , foi um marco para o cinema , que bem antes de acontecer o trágico dia de 11 setembro , já pregava nos muros dos Estados Unidos uma triste representação da sua sociedade em decadência , a paranóia e a pobreza de espírito destes que a pertence, e nada mais cômico do que o fato do filme ser dirigido por um inglês.
É um filme chocante e aterrador, daqueles para você ver e rever.

 

Por Rodrigo Menezes

A história de todos nós?

Publicado: 29 de janeiro de 2011 em Espaço do Cineclubista

 

“Não saí ileso do filme e não consigo sair”, em boa parte das vezes em que assisto: O curioso caso de Benjamin Button. Um blockbuster Hollywoodiano da melhor qualidade. Apesar de não me considerar um crítico e nem um mega entendido de filmes, não busco em meus textos analisar conceitos estéticos e análises homéricas sobre determinados enredos, mas já que adentrei ao cineclube, esse filme me parece especial ainda que já tenha assistido há quase 02 anos.

É difícil não se envolver com o roteiro de Roth e a direção impecável de David Finch (Seven, e o magistral Clube da luta), mas em Benjamin Button, o diretor soube extrair do livro homônimo de Fitzgerald uma sutileza quase imperceptível – O drama. O drama de viver uma vida que todos nós vivemos. Uma histórica que cada um de nós possui convivendo com alegrias, tristezas, chegadas e partidas.

O curioso caso de Benjamin Button, conta a história de Benjamin, um homem que nasceu em circunstâncias pouco comuns se comparadas com outras pessoas. Nasce idoso e, quando poucos acreditam em sua sobrevivência, ele vive e rejuvenesce, mas vê seus conhecidos e queridos seguirem em direção contrária assiste os acontecimentos do séc. XX como uma testemunha ocular, se envolvendo em todos os sentidos, um homem com uma vida incrível.

Eu poderia dizer que é um filme que fala sobre a solidão, mas no fundo não parece que a vida nos é isso mesmo? Uma profunda solidão. Quantos de nós, mesmo rodeado de famílias e amigos estamos sozinhos, não beirando a depressão, mas vez ou outra esta sempre assim, O Benjamin do livro é um homem que anda de trás para frente no relógio humano, que percebe que sua história começa grande e termina em páginas de um diário.

O Benjamin do filme, interpretado por Brad Pitt é criteriosamente o mesmo de Fitzgerald, com uma pitada de envolvimento talvez muito mais especial do ator à trama. Brad Pitt vive a cada cena o Benjamim que se distingue dos outros com que convive, esbanja maturidade aos 18, quando aparenta 60 anos de idade (quando passa um tempo viajando pelos mares da Europa). Mostra-se frágil aos 60 anos quando aparenta 18, num compasso muito especial onde a juventude e a velhice não são somente um estado de espírito.

Kate Blanchet, que dá vida à Daisy, amor de infância e por toda a vida de Benjamim se mostra mais que perfeita para o papel. Vigorosa, firme, Alguém que não gosta de saber que vai envelhecer, mas aprende que a vida funciona dessa forma e descobre que em seu destino, Benjamim a salva de todas as maneiras possíveis.

Quase 03 horas de filme te esperam em Benjamin Button, cansativo? Talvez, ainda não viu? Assista, deixe-se levar pelo estranho caso de Benjamim, assista aos fatos do séc. XX perceba que a solidão é mais comum entre os homens do que imaginamos, também vai perceber que a vida e o amor é o que nos torna humanos, não importando o tempo em que vivamos.

 

Por Rafael Gomes

Filmado no subúrbio de Recife, o filme Amarelo Manga tem como ambiente a sociedade paralela, marginalizada recifense. O filme não mostra a praia da Boa Viagem, um dos principais cartões-postais de Recife, mostra o estado de anomia que permeia a população da periferia, aquelas nas quais a falta de riqueza e oportunidades é permanente. Ali, formam-se personalidades que são produtos dessa construção social corrompida por inexoráveis razões históricas, em que conceitos de ética e moral, certo e errado, são resultados de um discurso permanente (em que se procura o “defeito do sujeito” ao invés do “defeito do sistema social”) que constrói um inimigo conveniente para a sociedade: os próprios seres marginalizados.

O filme foge dos clichês de luta de classes ou de polícia e bandido, no Amarelo Manga é apresentado um dia do lumpemproletariado, cidadãos que vivem na miséria, desvinculados da produção social, com escalas de valores baseadas no ganho individual, tendo como necessidades básicas “estômago e sexo”, desejando apenas sobreviver tentando resolver seus problemas sozinhos ou através da fé e não politicamente ou de forma organizada.

Dunga, que pode ser definido como o personagem central do filme (já que ele entrelaça quase todas as histórias)  é apaixonado por Welligton Kanibal, que é casado com Kika e tem um caso com Dayse. Dunga, se aproveitando da informações recebidas tanto por Dayse, quanto por Welligton, entrega uma carta anônima para Kika, para causar o fim dos relacionamentos. Dunga, maquiavélico, acredita que com o fim do relacionamento de Welligton com as duas mulheres, conseguiria o homem para si, os fins justificam os meios, ou em suas palavras, ‘bicha quer, bicha faz”.

O triângulo amoroso demonstra uma situação comum no filme: as aparências enganam. Kika, a evangélica, mostra-se uma pervertida pudorenta (confirmado pela cena onde o próprio diretor do filme, Cláudio Assis, aparece e sussurra em seu ouvido: o pudor é a forma mais inteligente de perversão), Welligton, o típico homem ignorante e machista, respeita moralmente sua mulher, apesar de traí-la, Dayse, a “mulher viciada em homem casado”, não gosta da situação e quer acabar com a relação já que Welligton não cumpriu o que prometeu, abandonar Kika. Esta situação também se repete no bar Avenida, em que a dona do bar, Lígia, “parece puta, mas ninguém aqui comeu ela”.

Kika, uma evangélica fervorosa, em uma das cenas é chamada por algumas crianças de Kika Kanibal, apelido do marido, Welligton Kanibal. Indignada, reclama com o marido na hora do almoço e depois conta a história da mulher que traía o marido, aproveita e manifesta  seu repúdio à traição. Quando Kika descobre a traição do marido e o encontra com Dayse onde a carta de Dunga dizia, ela ataca o marido e depois vai para cima de Dayse, arrancando sua orelha com a boca e cuspindo apenas o brinco fora, tornando-se, literalmente, uma canibal.

Kika, encontra-se com Isaac na rua depois da briga e eles vão para a cama. Kika, que vivia cheia de pudor, agora aparece nua, transando sem pudores com Isaac. Demonstrando sua completa desvinculação com seus antigos valores, ela se transforma em uma pervertida que sente prazer ao introduzir uma escova de cabelo  no ânus de Isaac.

O filme possui uma estrutura quase circular, começa como acaba. Na primeira cena, Lígia acorda em seu quarto e vai abri as portas do bar enquanto fala em off sobre a passagem do tempo, “Às vezes eu fico imaginando de que forma que as coisas acontecem. Primeiro vem o dia. Tudo acontece naquele dia. Até chegar a noite, que é a melhor parte. Mas logo depois vem o dia outra vez, e vai, vai, vai, e é sem parar.”, no final do filme volta-se à cena de Lígia abrindo o bar Avenida, mas, com uma pequena diferença, ela não fala mais em off, fala diretamente para a câmera, as mesmas palavras.

Após a cena inicial do filme, vemos Issac dirigindo pela cidade e ouve-se no rádio do carro “Dona de casa muito respeitável encontrou seu marido com amante. Ai a coisa ficou preta. Ela, uma evangélica, partiu para cima da fulana e foi um tal de Deus nos acuda. Resultado: a amante no hospital, ferida, e a corna ninguém sabe, ninguém viu.” na hora, isto parece não ter importância, mas ao desenrolar do filme, percebemos, de forma vaga, os fatos que ocorrerão com Kika, Welligton e Dayse.  No final, quando termina a cena de Lígia, não mais volta-se para Isaac no carro, o dia 16 de junho já passou, mas sim, passam-se várias cenas do lumpemproletariado de Recife em mais uma manhã de trabalho e depois aparece Kika, em transe no meio de tudo isso, jogando sua aliança fora enquanto se dirige para um salão de beleza, em que ela pede “arranca tudo e pinta”, quando perguntada sobre a cor, responde: amarelo manga.

O ciclo se fecha para recomeçar, só que com novos personagens, desconhecidos da trama, mostrando a semelhança dos dramas cotidianos. A história de Kika é só mais uma repetição insignificante. Assim como a vida de Lígia, que se repete no memo bar, com os mesmos clientes, todos os dias, sem nada mudar.

 

Por Thiago Almeida

E esse amigo, hein?

Publicado: 23 de janeiro de 2011 em Espaço do Cineclubista

“The Social Network” é um filme que conta a história de como o criador do então Facebook, Mark Zuckerberg, que é interpretado pelo ator Jesse Eisenberg, fez para colocá-lo em prática.

Depois de levar um fora de sua namorada, de acordo com o que conta o filme, Zuckerberg, senta em frente ao seu notebook e começa a denegrir a garota. Nesse meio tempo, resolve criar uma enquete para descobrir quem seria a garota mais bonita da Universidade de Havard. Ele consegue, simplesmente, fazer com que a rede de computadores na universidade saia do ar e descobre a ferramenta de como fazer uma rede social e transformá-la em um sucesso estrondoso. O que ele não esperava é que com a sua fama, viriam inúmeros inimigos ligados a isso e por conseqüência alguns processos judiciais por calúnia, difamação, roubo de idéias e por aí vai.

Isso é mais ou menos o que acontece no filme do diretor David Fincher. E então agora vamos a algumas ressalvas sobre a produção.

O filme tem o seu ritmo bastante acelerado, muito provavelmente fazendo uma associação com a velocidade de troca de informações da internet. O problema é que logo na primeira cena, a que Mark leva um fora da sua suposta namorada, a jovem Erica Albrirht (Rooney Mara). Isso mesmo, suposta, pois de acordo com o verdadeiro Mark Zuckerberg, a estória da namorada, nunca existiu. Mas para o cinema, isso não importa muito, se o intuito é fazer um reboliço maior para que suas produções tenham êxito. Voltando à cena e à discussão, esse ritmo bastante acelerado do diálogo entre os dois atores, cansa o publico. Tudo bem que é sabido por quase todos que a velocidade da internet, num geral, é rápida, mas não precisa passar isso através de um ritmo fora do comum nas falas das personagens, não é Fincher?

A película não aparenta ao certo se tem intuito documental ou se é biográfico. Entre idas e vindas entre passado e presente, o estilo de roteiro confunde o telespectador sem que saiba se ele é um documentário ou uma biografia. O que acaba trazendo mais cansaço e chateação durante sua exibição. Diria mesmo que quem segura o filme e faz com que o publico resolva ficar até o seu final, não só apenas pela história da criação da rede social da moda, o Facebook, mas sim falando de algo mais técnico, é mesmo a atuação de Jesse Eisenberg. Ele sim arranca elogios por toda a produção. Por mais que seja baseado em uma história real, e que talvez se pense que não há tanto a se trabalhar um ator para algo que é verídico, mas se o profissional não for muito bom no que faz, sinto muito em dizer, não adianta de nada. Jesse em sua jovialidade transparece muito bem a ironia, sarcasmo, coragem e empreendedorismo que Zuckerberg teve para se lançar no mundo cibernético como criador do Facebook. E é aí que está o bom preparo de um ator. Se Eisenberg não fosse bom em seu trabalho, como ele convenceria ao publico que é realmente o mais jovem bilionário do mundo? E como faria com que o telespectador entrasse em catarse com o conteúdo do filme e se associasse a ele? Ficam aí boas perguntas a serem respondidas por quem assistiu à película.

O ator Armie Hammer, que deu vida aos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, que foram um contraponto ao alto entusiasmo cibernético de Mark, e o chamam para que juntos criem uma rede social para os alunos de Havard. Tem sua atuação louvável, afinal dar vida a dois ao mesmo tempo, não é algo fácil. Porém, ele não arranca bons suspiros por seu trabalho. Ao passo que Andrew Garfield, que interpreta o brasileiro Eduardo Saverin, que é melhor amigo de Mark, fica em segundo lugar pelo seu trabalho. Dando vida ao que se pode dizer “cérebro” do futuro Facebook, e além de ser o real investidor da empreitada, ele auxilia e financia Mark em todas as suas idéias e põe em cheque até que ponto pode ir uma amizade verdadeira e até que ponto isso pode se tornar apenas uma forma de ascensão social.

O dito “queridinho” Justin Timberlake, pessoalmente, não me convence nem como ator, e muito menos como cantor. Mas enfim, vamos à atuação dele. Ele dá vida a Sean Park, criador do programa Napster que dá acesso ao compartilhamento, via internet, de musicas, sem nenhum tipo de cobrança financeira. Ele foi convidado por Mark a fazer parte como colaborador de sua empreitada. Enfim para uma pequena participação na produção, ele até que atingiu as expectativas que talvez o diretor tenha tido sobre sua pessoa. Entretanto, é um papel que não, necessariamente, precisaria ser feito por ele. Outro ator faria muito bem, mesmo que não tivesse tanta experiência de trabalho.

Embora essa produção tenha levado para casa o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora, e, portanto pelo peso que essa premiação tem, faz com que ele seja apontado como um dos favoritos ao Oscar 2011, “The Social Network”, tirando a trilha sonora que chega perto de dar um norte, um rumo, ao filme, pelo fato de contribuir para a catarse do publico em, quem sabe, torcer a favor do herói, ou seja, aumentando ainda mais o clima de tensão para o clímax e depois, para o desfecho, não chamaria atenção para mais nada ali dentro. A narração não cronológica, juntamente com o acelerado ritmo das falas, cansa quem assiste, além de causar uma ansiedade incrível pelo o final e que o telespectador possa, então, sair da sala dos cinemas ou do seu próprio sofá. A direção, embora seja de Fincher, importante diretor de cinema, é angustiante. Você não sabe se presta atenção ao filme ou se olha as legendas para compreendê-lo. Até mesmo para os nativos ou entendedores do inglês, é difícil pensar que nenhum deles saiu do cinema entendendo exatamente todos os diálogos. Sendo mais prático, há uma necessidade terrível de contar ao máximo todos os fatos sobre a história do Facebook, num filme que só tem duas horas de duração. Se quer ser o mais fiel possível, mesmo tendo inventado a tal da namorada do Mark, fizesse um filme mais longo, certo Fincher?

Enfim, “The Social Network” adaptação do livro “The Accidental Billionaires” (Bilionários do Ano) de Ben Mezrich, foi produzido em 2010, com direção de David Fincher, roteiro adaptado de Aaron Sorkin, direção de fotografia de Jeff Cronenweth, direção de arte de Keithi Cunnigham e Curt Beech, trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross, figurinos de Jacqueline West, tem duração aproximada de 120 minutos, incluindo os créditos finais.

Por Ricardo Montalvão

Parasita ou Vírus?

Publicado: 19 de janeiro de 2011 em Espaço do Cineclubista

A Origem de Christoper Nolan

“O que é mais resistente? Um Parasita ou um Vírus? Não, uma Idéia”. Essa frase é o que mais pode sintetizar um dos filmes de ficção científica mais comentado no momento, “A Origem” (Inception), de Christopher Nolan ( Dark Knight e Amnésia), que nesta obra assina como diretor e roteirista. Fazem-se aqui reservas em especiais a Nolan. Diretor de 07 filmes, desde Amnésia, passando por 02 filmes do Batman, o diretor sabe como ninguém atrair multidões ao cinema. Mas Nolan não é um mero diretor, não brinca com o telespectador, oferece uma rede de intrigas complexa que exige máxima concentração (como a disputa de egos entre Batman e Coringa em Dark Knight), em A Origem (Inception – Não sei por que esse título já que Inception não tem nada a ver com a Origem), Nolan surpreende de novo.

A história gira em torno de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) um ladrão corporativo. Mas não um ladrão comum, ele é especialista em roubar sonhos. Até aí não nos parece nada estranho, já vimos alguns filmes parecidos, a sacada do longa é o processo para se roubar esse sonho. Não é uma atitude isolada, precisa ser bem planejada e calculada. (vou parar por aqui pra deixar àqueles que não assistiram ainda com mais curiosidade).

Com atuações impecáveis do próprio DiCaprio, o filme ainda conta com uma participação mais que especialíssima de Michael Kaine (esse, dispensa qualquer apresentação), Marion Cottilard (uma beleza absurda e uma interpretação beirando a perfeição), o filme ainda tem Gordon-Lewitt (Quem nao assistiu, 500 days of Summer, eu recomendo, Gordon a cada obra que passa se mostra uma promessa excelente nos filmes atuais), Ken Watanabe (aquele mesmo de O Ultimo Samurai que também dispensa apresentações) e a jovem Ellen Paige (Juno, e atenção à personagem dela, ela é a “guia” deste filme, no papel como a “Ariadne”). Convido vocês a lembrarem um pouco da mitologia Grega sobre O labirinto e o Minotauro. Para quem nao sabe – O Minotauro foi morto pelo ateniense Teseu que, se ofereceu ao rei Minus para ser devorado pelo Minotauro e, com a ajuda da princesa Ariadne, escapa do labirinto ajudada por Dédalo e Ícaro com um novelo de lã. Ta bom, Ta bom, eu li demais sobre mitologia grega e egípcia e posso contar essa história do início ao fim mas, vamos deixar isso para outro post.

Quem for assistir vai ter uma leve impressão de se lembrar da saga Matrix, mas a diferença é que a película dos irmãos Wachowski, é mais focada em ação e luta. Não que não haja ação em A Origem, mas aqui o intrincado roteiro de Nolan força o telespectador a prestar atenção a cada cena do filme. É um filme como eu disse, complexo, mas não é difícil ser acompanhado. São praticamente 02h30min de filme do qual você não pára um segundo de prestar atenção e, se tiver a mesma impressão que eu, sai de lá com mais perguntas do que respostas.

Destaco também os efeitos especiais e a trilha sonora. Aliás, uma homenagem à Cottilard e a sua interpretação em Piaf” cantando a musica No, Je ne regrette Rien. Que é cantada em velocidade mais lenta durante as passagens do filme. A Origem é para aficcionados em tecnologia e psicólogos, um prato cheio por levar a cabo diversas inovações tecnológicas quanto a filmagens e as abordagens sobre a teoria dos sonhos num nível bem mais alegórico, mas ainda assim, interessantíssimo.

Vale à pena assisti-lo e revê-lo muitas vezes.

 

Por Rafael Gomes