Arquivo de dezembro, 2010

Derrota aceita e registrada!

Publicado: 16 de dezembro de 2010 em Acervo Kipá, Agenda do Kipá
O Kipá experimentou o sabor da Derrota e registrou vários momentos da festa para a realização de documentário

 

O Instituto Kipá juntou-se à multidão de ‘derrotados’ que participou da Derrota Fantasy 2010. A equipe ficou responsável pela realização do documentário “A minha Derrota”, que buscará retratar a movimentação da festa e envolvimento do público em relação à proposta do evento. As bandas não ficaram de fora, e alguns músicos não deixaram de dar seu depoimento sobre a irreverência que marca a Derrota. E já que ficar derrotado é o objetivo da festa, a nossa equipe não parou e trabalhou até as 6h da manhã, mas, claro, sempre com muita diversão.

Equipe Kipá (da esquerda para a direita): André Aragão, Chris Matos, Cleiton Lobo, Marcos Mota, Renan Sobral, Sayuri Dantas e Marcel Magalhães

O documentário está em fase de edição e quem quiser ainda pode participar da nossa produção. Aqueles que fizeram pequenos vídeos durante a festa e quiserem compartilhá-los com a gente podem enviar esses materiais para a nossa equipe através do email audiovisual.kipa@gmail.com. O envio pode ser feito até amanhã, 17 de dezembro de 2010.

A Derrota

Fantasiar-se para a Derrota é, antes de tudo, preparar-se para sentir-se derrotado ao final da festa. E isso parece ser regra entre todos que participam da brincadeira. Os amigos Maneu Carvalho e Arthur Soares, que nunca perderam uma edição da Derrota, contam que o melhor mesmo é chegar na folia já meio derrotado para sair de lá totalmente acabado. “Lembro de uma vez que cheguei na Derrota todo fantasiado e, depois de um tempo, fui perdendo todos os adereços da minha fantasia. Só me dei conta quando eu já não tinha mais nada de diferente na roupa”, relembra Maneu, que resolveu descartar os adereços este ano, vestindo-se de ajudante de cego, protagonizado por Arthur. 

Maneu e Arthur nunca perderam uma Derrota

Havia também muita gente que não conhecia a Derrota e que, pela primeira vez, resolveu fantasiar-se para encarar a festa. Vestido de mecânico, o representante comercial Alisson Cavagnoli nunca tinha ido a nenhuma edição do evento e disse que só sairia derrotado da festa. “Pelo que ouvi falar, aqui as pessoas brincam muito e só voltam pra casa depois muito derrotadas”, disse Alisson. O professor Danilo Pereira (nome fictício) também participou pela primeira vez da festa, mas conta já ter feito algumas maluquices em momentos de derrota total. “Uma vez, depois de beber muito, eu dancei uma música da Britney Spears sem roupa no meio da rua”, recorda Danilo.

Cambota fala sobre a Derrota Fantasy

 Os músicos que fizeram a festa do público também relataram algumas das suas derrotas para a equipe do Kipá. Pela primeira vez no nordeste, Cambota, o vocalista da banda ‘Pedra Letícia’, revelou não apenas uma, mas sete derrotas que ele colecionou ao longo da sua vida. “Se é pra falar de derrotas, posso contar sobre sete, que foram as sete faculdades que comecei a cursar, mas acabei desistindo de todas até que resolvi me tornar músico, o que não tem sido uma derrota”, fala Cambota, que brinca ao dizer só ter entendido o sentido da festa quando a Pedra Letícia, segundo ele, uma banda ‘fuleira’ [risos], foi convidada pra tocar no evento.

 

Digão recebe a Equipe Kipá

“Difícil dizer uma derrota, são tantas”, afirma Digão, vocalista e guitarrista da banda Raimundos. No entanto, embora não conseguissem se lembrar de muitas derrotas na hora da entrevista, os roqueiros da Raimundos concordam que a sua participação no evento não está entre elas. “Isso não é uma derrota, a festa é muito boa, dá pra ver que a galera participa bastante. Ela devia inclusive mudar de nome e se chamar Vitória”, acredita Canisso, baixista da banda. 

Entrevista com Canisso, baixista da banda Raimundos

Muito mais enturmada, a galera do Massacration, que esteve presente na edição anterior da Derrota Fantasy, em 2009, também mostrou-se firme ao defendê-la enquanto uma festa vitoriosa. “Mais uma vez, o metal venceu e saíram derrotados os emos, os caretas, os grupos musicais da atualidade”, assegura Bruno Sutter, o Detonator. 

"Na Derrota, o Metal venceu", diz Bruno Sutter

Colecionando derrotas ou não, todos se divertiram muito na festa que, mais uma vez, provou ser um grande evento. O Instituto Kipá aproveita este espaço para agradecer o empenho de todos que se dedicaram durante toda a festa para a produção do nosso documentário. “As gravações na Derrota Fantasy ocorreram tranquilamente, gravamos shows, montamos a nossa tenda, conversamos com as bandas e com várias pessoas, pegamos imagens do evento em si e acabamos saindo quase 6h da manhã de lá. Toda a equipe está de parabéns”, reforça Marcel Magalhães, presidente do Instituto Kipá.

Agradecemos também ao público, às bandas e, principalmente, a Alexandre Hardman e sua equipe, que nos deram todo o apoio necessário para a realização desse novo projeto. Obrigado!

 

Por Chris Matos

Fotos: Sayuri Dantas

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O Kipá se prepara para mais uma produção audiovisual e convida a todos que participarão da festa Derrota Fantasy para construir esse projeto junto com a gente

É bem simples. Durante a Derrota, a equipe do Kipá estará coletando vídeos feitos por meio de celulares ou câmeras digitais que contenham registros dos melhores momentos da festa. Qualquer pessoa que estiver por lá pode participar, e pra isso basta levar o cartão de memória com o vídeo até o stand do Kipá ou enviá-lo depois pelo youtube para o email audiovisual.kipa@gmail.com.

Os 10 melhores vídeos farão parte do documentário “A minha Derrota” e os seus autores serão premiados com ingressos para o Coverama em 2011.

 

Segue abaixo o regimento para quem quiser participar do projeto:

 

“A minha derrota”

Documentário colaborativo sobre a Derrota Fantasy

 

– Podem participar pessoas de qualquer idade

– Os vídeos podem ser filmados com celulares e/ou câmeras fotográficas

– Não serão utilizadas no documentário imagens que contenham: sexo, violência, preconceito e situações constrangedoras

– No dia do evento o Kipá irá disponibilizar espaço para a coleta dos vídeos

– Os vídeos poderão ser enviados via youtube (link) para o email do Kipá (audiovisual.kipa@gmail.com) até a sexta-feira, 17 de dezembro de 2010.

– Dentre os vídeos enviados, serão selecionados 10 para ganharem os ingressos pro Coverama

– A pessoa que enviar mais vídeos (produzidos por amigos também vale, desde que cite o primeiro autor) irá concorrer à camisa do derrota autografada pelas bandas

– Os autores dos vídeos enviados concordam com esse regimento automaticamente ao se inscreverem

– Casos omissos serão resolvidos pela equipe de produção do documentário

Por Janaína Conceição

 

Interessante a reunião do cineclube Kipá da última sexta-feira, dia 03 de Dezembro de 2010.  A proposta de assistir o filme O Segredo de Seus Olhos, do diretor argentino Juan José Campanella, começou com um estigma de filme vencedor do Oscar de melhor filme em língua estrangeira de 2010 e terminou, por falta de tempo, durante uma calorosa discussão sobre o cinema brasileiro e críticos de cinema fadados ao ódio público. Primeiro vamos ao filme.

Devo confessar que, por pouco conhecer de cinema argentino, esperava menos. Erro meu! Logo no início do filme, me cativaram as imagens desconexas e aquela trilha que nos tele transporta para o melhor de Buenos Aires: a melancolia de um tango ou de um vinho e uma rosa vermelha (não que eu já tenha ido lá, apenas imagino). Pronto, o filme já tinha a minha atenção. Quando a cena revela um escritor frustrado construindo pilhas de bolinhas de papel naquela sala escura, o contraste de verde e vermelho formado por dois abajures já revelavam a composição fotográfica escolhida para o filme. O sépia das imagens seguintes fazia com que o vermelho (do batom, da roupa, do sangue, das ruas) ficasse ainda mais vivo. Fiquei imersa em alguns traços de Almodóvar e aquelas composições que me lembravam da Amelie Poulain.

Sobre essa montagem de imagens desconexas que se desvelam ao longo do filme eu não me atenho muito. Montagem linear nunca foi mesmo minha paixão. Essa não-linearidade combinada às sequências de câmera na mão e bons efeitos de imagem e áudio me faziam, em alguns momentos, sentir a confusão psicológica do personagem principal. Como se tudo isso não bastasse, o enredo de vários plots tornava a história mais interessante, menos previsível. Não era um filme policial, uma história de amor, um drama, somente. Era tudo junto, combinado, interligado e forte. Aliás, devo dizer que os diálogos em língua latina sempre parecem mais intensos do que no inglês, de sempre. As palavras são mais calorosas, atraentes, expressivas. Nada daqueles diálogos sintéticos “de mierda”.

Sem querer criar um Spoiler, para os que ainda não assistiram, saliento apenas o meu contentamento ao ver presente no filme a idéia de que mesmo os “bons” podem ser algozes perversos. Finais felizes ficam para os contos de fadas. Gosto dos finais reais, possíveis. Enfim, se essa foi a minha primeira experiência fílmica do cinema argentino, devo dizer que me interessou bastante. Apesar de não ser a expressão pura do Novo Cinema Argentino enquanto movimento cinematográfico, “O Segredo dos Seus Olhos” me despertou para as produções dos nossos “hermanos”.

Ah! E sobre as críticas ácidas, deixemo-nas para os nossos colegas infelizes, soterrados pela amargura de projetos não realizados e concepções vazias. Ainda acredito que boas críticas possam sim expressar um ponto de vista sem necessariamente ofender a opinião alheia.

Um domingo muito especial para os integrantes do Instituto Kipá, que, a convite do grupo Café Animado,  colabora com a realização de animações sobre a vida da mulher mais alta de Sergipe

Instituto Kipá e Grupo Café Animado reunidos na casa de Maria Feliciana

 

                Em uma casa simples localizada na rua que leva o nome do famoso guerreiro São Jorge, no bairro Santos Dumont, mora uma das figuras mais importantes da cultura popular sergipana, a Rainha da Altura Maria Feliciana dos Santos. Dona de um coração muito maior que os seus 2,25 m de estatura, Feliciana recebeu com carinho a equipe do Instituto Kipá para a gravação de imagens que podem dar origem a um documentário sobre a sua história com produção prevista para o início de 2011.

Moema Costa, do Café Animado

                A convite do grupo Café Animado, que se prepara para a criação de animações com roteiros baseados em pequenas histórias vividas pela Rainha da Altura em suas andanças pelo Brasil, o Instituto Kipá registrou o primeiro contato entre os jovens animadores e Maria Feliciana. “Quando surgiu o convite, a ideia seria apenas a de acompanhar o pessoal do Café Animado em seu primeiro encontro com a Maria Feliciana, fazendo uma espécie de making off e colaborando com o que fosse preciso para ajudá-los na criação de suas animações”, relata Baruch Blumberg, Coordenador de Produção do Kipá. 

Integrantes do Kipá durante as gravações

                 O que era para ser um simples registro acabou transformando-se na possibilidade da realização de documentário sobre a vida da mulher que levou o nome de Sergipe para todo o Brasil durante as décadas de 60 e 70. Feliciana chegou a se apresentar em programas de rede nacional, como o ‘Buzina do Chacrinha’, onde participou de um concurso e foi eleita a mulher mais alta do mundo, sendo coroada por Luiz Gonzaga como a Rainha da Altura.

Maria Feliciana, a eterna Rainha da Altura

                 Maria Feliciana revela que a sua altura nunca foi um problema para ela e que, apesar de alguns contratempos como a dificuldade para entrar em determinados locais ou para encontrar camas que a comportasse de maneira confortável, ela sempre se sentiu bem em relação a sua estatura, marca registrada da família Santos, aliás. Com 2,10m, Cleverton Santos, filho caçula de Feliciana, alega ter se incomodado um pouco com a sua altura durante a infância, quando recebia apelidos por ser o mais alto entre os amigos. “Hoje, tenho satisfação por ser tão alto, pois isso representa a minha família e, principalmente, a minha mãe, que é um mito em todo o Estado de Sergipe”, diz Cleverton.

"Tenho satisfação por ser tão alto", Cleverton Santos

                 As gravações feitas neste domingo contaram com a coleta de depoimentos de personagens importantes na história dessa grande mulher. As duplas sertanejas Ozano e Ozanito e Adalto e Adailton, Lorinho do Acordeon e a cantora Joseane DyJosa se emocionaram ao lembrar de fatos marcantes vividos na companhia de Feliciana. “Fico feliz ao ver a participação desses jovens unindo forças em prol de um objetivo que é o de reconhecer a história de alguém que é uma marca da cultura sergipana”, conta Joseane. 

Maria Feliciana ao lado de Josa e Joseane DyJosa

                 Algumas das imagens registradas durante esse encontro devem ser exibidas no dia 20 de dezembro, a partir das 20h, no Teatro Louviral Baptista, quando será realizado um show beneficente com renda destinada à construção de um banheiro adequado às necessidades de Maria Feliciana, que, aos 64 anos, depende de uma cadeira de rodas para se locomover.

Por Chris Matos

Fotos: Arthur Pinto, Chris Matos e Cleiton Lobo

 

Participação de alunos, realizadores e sociedade civil no painel do Fórum

foto: Ascom/NPD

Na última sexta, 26, aconteceu na Sociedade Semear um Painel de Formação e Implantação do Fórum Audiovisual de Sergipe, com o intuito de discutir novas diretrizes acerca da cena do audiovisual em Sergipe, fortalecendo também a interação entre os membros que constroem esse cenário local. O evento, que foi aberto ao público, recebeu em torno de 150 pessoas, desde alunos a profissionais da área e discutiu a importância da criação de um Fórum permamente para impulsionar a difusão das produções audiovisuais sergipanas, além do objetivo de debater outras questões vinculadas.

 

Participantes do Fórum Audiovisual de Sergipe

Duas mesas foram formadas, sendo a primeira composta por Ana Carolina Westrupp (representante do Cine Circuito Livre); Rosângela Rocha (Casa Curta-SE); Anderson Bruno (presidente da ABD/SE) e Indira Amaral (presidente da Fundação Aperipê). A segunda foi formada por Ana Ângela Gomes (professora da Universidade Federal de Sergipe); Marcelo Rangel (representante da Secretaria de Estado da Cultura) e  Tarciana Portela (representante do Ministério da Cultura/Nordeste).

 

Redação da carta aberta para implantação do Fórum

 

Leitura da carta aberta para oficialização do Fórum Audiovisual SE

foto: Ascom/NPD

Após as discussões na sexta, 26, ocorreu um novo encontro no sábado, 27, para redigir uma carta aberta ao público, onde seria oficializada a implantação do Fórum Permamente de Audiovisual em Sergipe. O objetivo era redigir a carta neste dia e finalmente apresentá-la abertamente a todos na segunda, 29, na Rua da Cultura, como de fato aconteceu após a exibição dos Filmes Del Rey.