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Por Janaína Conceição

 

Interessante a reunião do cineclube Kipá da última sexta-feira, dia 03 de Dezembro de 2010.  A proposta de assistir o filme O Segredo de Seus Olhos, do diretor argentino Juan José Campanella, começou com um estigma de filme vencedor do Oscar de melhor filme em língua estrangeira de 2010 e terminou, por falta de tempo, durante uma calorosa discussão sobre o cinema brasileiro e críticos de cinema fadados ao ódio público. Primeiro vamos ao filme.

Devo confessar que, por pouco conhecer de cinema argentino, esperava menos. Erro meu! Logo no início do filme, me cativaram as imagens desconexas e aquela trilha que nos tele transporta para o melhor de Buenos Aires: a melancolia de um tango ou de um vinho e uma rosa vermelha (não que eu já tenha ido lá, apenas imagino). Pronto, o filme já tinha a minha atenção. Quando a cena revela um escritor frustrado construindo pilhas de bolinhas de papel naquela sala escura, o contraste de verde e vermelho formado por dois abajures já revelavam a composição fotográfica escolhida para o filme. O sépia das imagens seguintes fazia com que o vermelho (do batom, da roupa, do sangue, das ruas) ficasse ainda mais vivo. Fiquei imersa em alguns traços de Almodóvar e aquelas composições que me lembravam da Amelie Poulain.

Sobre essa montagem de imagens desconexas que se desvelam ao longo do filme eu não me atenho muito. Montagem linear nunca foi mesmo minha paixão. Essa não-linearidade combinada às sequências de câmera na mão e bons efeitos de imagem e áudio me faziam, em alguns momentos, sentir a confusão psicológica do personagem principal. Como se tudo isso não bastasse, o enredo de vários plots tornava a história mais interessante, menos previsível. Não era um filme policial, uma história de amor, um drama, somente. Era tudo junto, combinado, interligado e forte. Aliás, devo dizer que os diálogos em língua latina sempre parecem mais intensos do que no inglês, de sempre. As palavras são mais calorosas, atraentes, expressivas. Nada daqueles diálogos sintéticos “de mierda”.

Sem querer criar um Spoiler, para os que ainda não assistiram, saliento apenas o meu contentamento ao ver presente no filme a idéia de que mesmo os “bons” podem ser algozes perversos. Finais felizes ficam para os contos de fadas. Gosto dos finais reais, possíveis. Enfim, se essa foi a minha primeira experiência fílmica do cinema argentino, devo dizer que me interessou bastante. Apesar de não ser a expressão pura do Novo Cinema Argentino enquanto movimento cinematográfico, “O Segredo dos Seus Olhos” me despertou para as produções dos nossos “hermanos”.

Ah! E sobre as críticas ácidas, deixemo-nas para os nossos colegas infelizes, soterrados pela amargura de projetos não realizados e concepções vazias. Ainda acredito que boas críticas possam sim expressar um ponto de vista sem necessariamente ofender a opinião alheia.

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Críticas dos cineclubistas

Publicado: 28 de novembro de 2010 em Espaço do Cineclubista
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Espaço reservado aos cineclubistas do kipá para enviarem suas críticas acerca de filmes e textos discutidos nos encontros do Cineclube.